PRINCE WADADA
âNatty Kongoâ
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A vibração é profunda, mas não tão profunda como a alma que se desprende da voz rouca de Prince Wadada que tem agarrada ao seu timbre a cor própria de Angola e o doce balanço de uma terra imensa que se espraia em cada canto de âNatty Kongoâ.
Wadada é uma voz conhecida de todos os que seguem com um mÃnimo de atenção as sinuosas viagens do som reggae/dub em Portugal. Como toaster de serviço ao Dubadelic Soundsystem, Prince Wadada tem percorrido todo o paÃs, colocando certeiras palavras naqueles pontos em que o groove pede uma intervenção mais afirmativa. Com o microfone bem dominado, Wadada integra-se numa longa tradição de âdeejaysâ que, desde a Jamaica clássica até à Zion global dos dias de hoje, tem feito muito para impôr uma vibração positiva neste planeta. Mas mais do que explorar exaustivamente uma determinada tradição ou atitude mais especÃfica, Wadada tem preferido abraçar a música com um entusiasmo puro que lhe permite coleccionar no seu currÃculo colaborações com gente tão distinta como os Kussondulola (com quem gravou em 1999), o âsupergrupoâ Linha da Frente ou, mais recentemente, os Mentes Conscientes, projecto paralelo dos veteranos hip hoppers Micro.
Para lá dessas colaborações gravadas, Prince Wadada foi pisando o palco ao lado de projectos como Gentleman and far east band, coolHipnoise, e General D. E a ligar todos esses momentos o que se encontra é a procura de uma voz e um lugar próprio. Primeiro com a edição de âKem é Kemâ, o seu registo de estreia, em 1998. E agora, seis bem preenchidos anos depois, com a chegada de âNatty Kongoâ.
As influências originais recebidas de gente como Yellow Man ou Buju Banton continuam presentes, mas o mais interessante da estreia de Prince Wadada é o facto de ao adoptar a linguagem do Roots Reggae como ponto de partida ele conseguir, ainda assim, criar um som que cruza múltiplas referências â culturais, geográficas, musicais e até espirituais. Claro que o balanço principal de âNatty Kongoâ é puro Roots, mas há ecos de drum nâ bass, acid jazz, dancehall, hip hop e até de clássicas baladas rock and roll (escute-se, por exemplo, âAnabela Toi et Moiâ). Para tanto contribui o facto do disco ter sido gravado num descontraÃdo ambiente âliveâ, em Faro, no estúdio Air-Born pelo técnico Edwin Spellbrink. A mistura final e a masterização ficaram a cargo do veterano Joe Fossard que será igualmente o responsável pelas versões dub que serão editadas mais tarde. A excepção surge no tema âPoder da Kriaçãoâ, com um beat e uma rima de D-Mars, que assim retribui a participação de Wadada em âA Cidade Respiraâ dos Mentes Conscientes. Trata-se de um tema de demanda espiritual sobre ritmos sintéticos cozinhados num sampler. Homem capaz de aguentar o impacto de Soundystems, Wadada, claro, não estranha a mudança de cadência de um disco construÃdo essencialmente com o resultado da interacção de uma série de músicos.
A ponta de lança desta colecção de canções é, claro, âTáxi Para Luandaâ, o single que tem coleccionado uma invejável carreira nas listas de airplay das mais significativas rádios nacionais. Hino à saudade dedicado a todos quantos, como Wadada, largaram Luanda à procura de um sonho. Mas Wadada está de olhos bem abertos e âNatty Kongoâ é uma conquista bem real. Acreditemâ¦
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