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Rdios de rock traem segmentao empregando locutores e at coordenadores leigos ao gnero
E mais: Por que as rdios rock ficaram ruins?
RADIALISMO ROCK AUTNTICO LUTA PELA VOLTA
O radialismo rock nos anos 90 representou uma crise que irritou muitos ouvintes, embora tenha tambm criado um exrcito viciado de defensores temperamentais, irritadios e chantagistas, que se iludiram com a diluio do formato de rdio de rock que a galera do pavio curto entendeu como modernizao de linguagem.
A histria do radialismo rock no surge exatamente no programa de Moondog, pseudnimo do locutor Alan Freed. Este locutor, apesar de ter batizado o novo gnero que misturava o autntico rhythm and blues com o country de rock and roll, em 1950, est mais prximo de ser o pioneiro do hit-parade, por dois aspectos: primeiro, Freed divulgava um novo estilo que estava no mero estgio da msica jovem danante. E, segundo, ele seria acusado, anos depois, de prtica de propina (jabacul, ou payola, em ingls), alm de se concentrar nos mesmos hits, enfim, os vcios do parado que todo mundo conhece.
A origem do radialismo rock, portanto, vem de San Francisco, Califrnia, costa sudoeste dos EUA. Uma emissora de rdio, em 1967, decidiu tocar as novas bandas de rock que no tinham espao nas paradas de sucesso. Muitas bandas surgiram no seio da contracultura desde o incio dos anos 60, e aliado a isso os jovens queriam expressar seu pensamento, seu senso crtico, e no encontraram canal nas rdios existentes.
No Brasil, a origem na prtica foi em 1972, quando as rdios Eldorado FM (vulgo Eldo Pop) e Federal AM, no Rio de Janeiro, e Excelsior AM, em So Paulo, passaram a se concentrar no segmento rock, na linha dos intelectuais, ativistas e artistas underground dos anos 60. Jornalistas e radialistas comandavam e falavam nessas rdios, com exceo da Eldo Pop, que no tinha locuo. Mesmo assim, eram sempre rdios de rock feitas por quem realmente gostava de rock. No entanto, a atuao das rdios no foi oficialmente declarada, porque o cenrio poltico era nocivo, na mais repressiva fase da ditadura militar, sob o signo do Ato Institucional Nmero Cinco (AI-5).
Por isso, muitos atribuem a origem, de fato e de direito, em 1982, quando surgiu a Fluminense FM, em Niteri (RJ). O motivo era que a rdio encontrou um perodo mais favorvel para desenvolver seu formato. Alm disso, as antecessoras no poderiam expressar o livre pensamento juvenil, como ocorreu nas rdios de rock estrangeiras, e a Fluminense FM, mesmo tardiamente, conseguiu traduzir, com a devida atualizao, o esprito contracultural dos jovens que no queriam ser vistos como alienados nem aceitavam a domesticao a que sempre foram sujeitos pela mdia.
Com a Fluminense FM, surgiram outras rdios: 97 FM, em Santo Andr, Ipanema FM, em Porto Alegre, Guarapari FM, em Guarapari (ES) e Estao Primeira, em Curitiba (PR). Todas no perodo 1983-1984, quando o sucesso da Fluminense, que era conhecida como Maldita (em aluso ao termo maldito da cultura underground), estava sendo comprovado pela opinio pblica nacional.
Como nem tudo so flores, os invejosos e incompetentes comearam a cobiar o sucesso da Fluminense. Rdios que nada tinham a ver com o rock autntico, como Cidade e Transamrica, criaram programas de rock e compraram profissionais da Fluminense. Ainda no se rotulavam como rdios rock, mas a diluio, que veio a reboque do Rock In Rio I em 1985, inspirou o surgimento de outra rdio, 89 FM, na cidade de So Paulo.
A princpio, a 89 FM parecia uma rdio de rock como as originais. S era menos criativa e pouco preocupada com o senso crtico e com as idias existencialistas. Era mais um vitrolo roqueiro recheado de muitas informaes sobre as bandas. Com o tempo, a 89 FM faria estragos progressivos no segmento, a princpio dividindo o espao de locutores roqueiros (tambm produtores) com outros de perfil popularesco, jogados para a programao normal. Isso irritou muitos produtores, que saram da 89, que com o tempo se transformou numa Jovem Pan 2 com guitarras, com sucesso maior do que a qualidade.
A decadncia no veio da noite para o dia. A decadncia das rdios de rock passou por trs etapas:
1. COMERCIALISMO CAMUFLADO - Rdios que aparentemente seriam discpulas apenas menos ousadas das rdios de rock, que tinham apenas uma programao musical bem cuidada e competente, mas sem compromissos com a atitude alternativa, comearam a pecar admitindo locutores de estilo pop ou popularesco para apresentarem a chamada programao normal, aquela que tocada no horrio de comrcio e na faixa nobre. Alm disso, h a progressiva incluso de sucessos ou diluies comerciais do rock no repertrio dirio, de incio camuflada entre algum nome autntico ou alternativo. Locutores autenticamente rock continuam apresentando programas especficos. Perodo em que mais ocorreu: 1985-1990
2. COMERCIALISMO ENRUSTIDO - Aparente converso de FMs de hit parade em rdios de rock, sem a menor adequao ao formato. Rdios que tocavam Fbio Jr. e Wando passaram a tocar vitrolo roqueiro, sem no entanto mudar sua equipe. Quando muito, somente produtores vinculados ao rock so contratados. Destes, a maioria tem competncia mediana e pouca ousadia. Muitos especialistas em rock se recusam a trabalhar para locutores pop, acostumados estes a adotar um discurso que vale mais pelo desfile de grias e piadinhas do que pela inteligncia e sensatez. Ocorrem restries quanto ao repertrio musical, sob o critrio do sucesso, mas isso chega a ser desmentido no discurso pelos profissionais. Perodo em que mais ocorreu: 1990-1994.
3. COMERCIALISMO EXPLCITO As rdios comerciais que se rotulam de rock adotam explcitamente as mesmas caratersticas de rdios pop como as da Jovem Pan 2, desde as vinhetas modernosas com som de raio laser e voz mixada at ao estilo gritado e rapidinho dos locutores. H claras referncias ao hit parade e seus profissionais justificam a restrio do repertrio e at mesmo a prtica de jab (sob o nome de verbas publicitrias), geralmente por questes de audincia e finanas.
certo, no entanto, que j em 1990 este terceiro estgio j esteja presente em vrias rdios brasileiras, sobretudo em regies mais atrasadas que nunca viram irradiar, at hoje, rdios como a Fluminense FM de Niteri. Ao invs de haver rdios de rock autnticas, desenvolvidas por seus prprios admiradores e conhecedores, em cidades como Salvador, Fortaleza ou mesmo as do interior do pas se limitaram a assistir a converso malfeita de FMs de parado ou de brega ao modismo do rock, puxadas pelo sucesso de nomes desiguais como Midnight Oil, Oingo Boingo, Guns NRoses, Outfields e Engenheiros do Hawaii.
Esta experincia na virada dos anos 80 para os 90 das FMs comerciais se deve por alguns motivos, dentre os quais se destacam:
1. A falta de condies da Fluminense FM em criar uma rede de rdio. At para manter seu prprio formato, a rdio teve problemas, que incluram desde as finanas at a falta de compreenso da equipe que sucedeu original.
2. O fato da prpria Fluminense FM ter seu modelo de rdio de rock (autntica) ter sido superado, em termos de projeo de mdia, ao digestvel modelo bastardo e fcil da 89 FM.
3. O oportunismo de certas rdios popularescas em explorar o segmento jovem e, na sua limitadssima compreenso, que confundia as chamadas rdios jovens (FMs de pop convencional) com as rdios de rock, fizeram uma gororoba radiofnica que misturava Iron Maiden com Dee-Lite. Os mesmos locutores que elogiavam Fbio Jr. na vspera passaram a bajular os Ramones dias depois.
4. Em certos casos, essas rdios mal-convertidas para o rock eram controladas por polticos que queriam atrair um eleitorado adolescente (16 a 24 anos). Achavam que estavam correndo na vanguarda desenvolvendo um formato extremamente caricato de rdio de rock, feito por pessoas incompetentes, como produtores de msica popularesca que se disfararam de coordenadores especialistas em rock para enganar os ouvintes.
Em 1993, muitas dessas rdios abandonaram o segmento rock: Atalaia FM, de Aracaju (SE), 100 FM de Fortaleza (CE) e 96 FM de Salvador (BA). At mesmo a ento afiliada da 89 FM em Recife teve o mesmo destino. Foi um estgio de rdios leigas que embarcaram no rock e desenvolveram a programao na cabra-cega, sem qualquer consulta nem mesmo interesse em contratar gente realmente especializada. S empregaram uns trs produtores e pronto. A locuo permanecia a mesma, e, no caso de Salvador, a rdio 96 FM, descontando o vitrolo, tinha literalmente o mesmo tipo de locuo da emissora popularesca Piat FM, para a qual migraram os antigos locutores da 96, j decididos em nunca mais explorarem o segmento rock.
Mas, infelizmente, a diluio pegou. Por culpa da imprensa musical, que durante anos apoiou o formato. Talvez por ingenuidade de uns e por sdica inclinao reacionria de outros, os jornalistas musicais deram muito apoio a essas rdios bastardas.
Atravs da Bizz, a partir da gesto de Andr Forastieri, houve uma tentativa de unir tanto as autnticas rdios de rock, como a 97 FM de Santo Andr e a Ipanema FM de Porto Alegre, com a 96 FM de Salvador. Alm disso, graas imprensa, outros setores do universo roqueiro, como lojas de discos e revistas mais especficas (dedicadas ao rock, aos esportes radicais como surfe e skate ou as dedicadas a instrumentos musicais como guitarra e bateria), em primeira instncia aderiram ascenso das falsas rdios de rock, publicando seus anncios ou promovendo parcerias, ou simplesmente elogiando tais rdios.
Nota-se aqui mais ingenuidade do que maldade e, na boa f, lojistas underground no incio dos anos 90 colocavam adesivos da 89 FM, s por causa do lema A Rdio Rock que esta emissora mais alardeia do que realmente pratica. Uma loja em Salvador chegou a ligar o equipamento de som sintonizado na 96 FM. Foi contrangedor para os alternativos entrar numa loja conceituada e ficar ouvindo sucessos fceis como Invisible Touch do Genesis, O Papa Pop dos Engenheiros ou uma baba como You belong to the city do Glenn Frey enquanto seleciona discos independentes para comprar. E o locutor, com voz de animador de baile disco, falando em cima das msicas com a maior cerimnia.
A reao de repdio dos ouvintes dizimou essas emissoras e fez a mdia se conter. A empolgao em ver qualquer rdio fantasiada de roqueira acabou. Revistas como a Bizz e a General fracassaram na sua primeira tentativa de pregar uma doutrina roqueira idiotizante. A 89 FM quis se promover com um arremedo de college radio que nos EUA soa muito banal, mas no Brasil, acabou sendo considerado genial e mal-compreendido. Mas no difcil notar que com o modismo grunge a programao era lamentvel, em que o pior do L7 era tido como melhor do que o melhor dos Smiths.
Alis, muito se contribuiu para a decadncia do radialismo rock. Vrios fatores ocorreram, como a mesma decadncia ocorrida das rdios uma dcada antes (a dcada de 80) nos EUA, a queda de qualidade musical (o barulho excessivo de algumas bandas e a pieguice pseudo-melodiosa de outras) na dcada de 90 e a acomodao da mdia, que se tornou incompetente, perdendo a curiosidade, a ousadia e a sensatez, salvo honrosas excees. Aqui vale destacar as ilhas de competncia num mar de grosseira decadncia: Ren Ferri, Vito Bonesso, Leopoldo Rey, Jos Roberto Mahr, Maurcio Valladares, Fernando Naporano so as principais mentes inteligentes numa imprensa musical, falada ou escrita, marcada por informaes imprecisas, erradas, confusas e com julgamento de valor equivocado que s feito para causar polmica.
A decadncia do radialismo rock, que parecia melhorar com o recuo de muitas rdios pseudo-roqueiras em 1993, sofreu duro golpe em 1994, com a extino das rdios originais de rock. Das pioneiras rdios de rock, somente a Ipanema FM continuou no ar, vide a tradio da cultura rock em Porto Alegre. Em 2000, uma campanha organizada na Internet tentou ressuscitar a Fluminense FM, primeiro nas ondas de AM, no ano seguinte, e depois na sua freqncia original (94,9 mhz, a mesma da Ipanema no Rio Grande do Sul).
Em 1995 volta a era da deturpao grotesca do radialismo rock. No entanto, as FMs envolvidas tinham uma experincia anterior no segmento rock, caricata e sem assumir o rtulo roqueiro, nos anos 80. A Rdio Cidade, do Rio de Janeiro, e a Rede Transamrica, no Brasil inteiro, ancoravam, junto com a 89 FM de So Paulo, todo um processo de deturpao do radialismo rock que teve seu auge em 1997 e viciou os ouvidos de geraes recentes de jovens roqueiros.
Se na primeira fase da diluio do radialismo rock, em 1990, a linguagem utilizada era a mesma de rdios hit-parade (como a Rdio Cidade no Brasil de ento) ou popularescas (como a carioca 98 FM) do final dos anos 70, com aquele locutor animado mas bastante comportado para os dias de hoje (o popular estilo al, minha dona-de-casa, bom dia alegria), cinco anos depois a linguagem seria outra, inspirada no estilo frentico da rdio Jovem Pan 2, sediada em So Paulo.
Em 1995 a Jovem Pan 2, lder de uma rede implantada no ano anterior, havia tirado a Fluminense FM do ar e seus locutores gritavam muito, falavam grias e tinham um timbre quase aboiolado. Eram neurticos e falavam correndo. Juntamente a isso, havia as vinhetas com som de teclado geralmente um som de raio laser e voz mixada, seja do prprio locutor da rdio, de uma patricinha, de uma voz grave ou mesmo de uma voz robotizada. As vozes nas vinhetas e propagandas variavam, mas os efeitos davam sempre a idia de linguagem futurista, considerada pela equipe da JP2 como gil e dinmica. Era com esses adjetivos que essa equipe justificava a linguagem neurtica de seus loucutores.
A 89 FM, no final de 1994, comeou a implantar literalmente a mesma linguagem da JP2. Isso gerou uma situao risvel, pois os defensores da 89, a exemplo da carioca Rdio Cidade, sentiam dio profundo Jovem Pan 2 e sua dance music farofa, e se julgavam radicalmente roqueiros, sendo sua rebeldia expressa mais por sua irritabilidade do que pela sua revolta em relao s injustias do mundo. A gerao desses roqueiros farofa, como toda a gerao adolescente e ps-adolescente desse perodo 1989-2002, sofre dos mesmos problemas: alienao, falta de curiosidade para buscar informaes e artistas menos previsveis, falta de sensos crtico e de discernimento, conformismo com sua situao, por sinal a cmoda vida de jovens de classe mdia a alta.
Portanto, esse pessoal diz abominar crucialmente a Jovem Pan 2, mas, contraditoriamente, aceitam a mesma linguagem da JP2 inserida no contexto da 89 FM, que no outro seno de uma rdio comercial no muito diferente. As semelhanas da 89 e JP2 so to grandes que vrios profissionais de uma migram para outra e vice-versa. A equipe do Trip 89, programa da dita rdio rock em parceria com a revista Trip, foi para a Jovem Pan 2 e mudou seu programa para Extreme Sports, depois voltaram 89 e retomaram o nome anterior. E 60% dos filmes norte-americanos exibidos no circuito RJ-SP, incluindo a refilmagem de Perdidos no Espao, o filme catstrofe Inferno de Dante e Space Jam (que juntava atores e esportistas humanos com a turma do Pernalonga) tiveram o patrocnio da Jovem Pan 2, no Rio de Janeiro, e da 89 FM, em So Paulo.
Outro profissional a deixar a JP2 para ingressar na 89 o produtor Alexandre Hovoruski (a sua grafia s vezes varia para Howorusky, Howoruski e Hovorusky, mas a mesma pessoa). Quem comprou os CDs da Jovem Pan 2 lanados de 1994 a 2000, quase todos de dance farofa, v na ficha tcnica o nome dele para a Seleo do Repertrio. Sim, isso mesmo, quem imagina o nome de Hovoruski associado rede rock da 89 FM no sabe que as msicas que esses roqueiros tanto abominam foram selecionadas prazerosamente pelo mesmo profissional.
Com o exemplo da 89, o radialismo rock caiu tanto que at as antigas college radios como a paulista Brasil 2000 e a gacha Felusp aderiram ao processo, a ponto de contratarem profissionais no-roqueiros para a coordenao, como Llio Teixeira (que havia sucedido o farofeiro Tatola) na rdio paulista e Alexandre Fetter (ex-Atlntida FM, uma rdio similar Transamrica que tem rede na regio Sul do Brasil). Llio havia atacado os roqueiros num programa de tev em 1995 e, na Brasil 2000, tentou agradar seus ex-demitidos (como Leopoldo Rey), chamando-os para a rdio.
Crise do CD muda a Galeria do Rock
Fonte: Folha de S. Paulo
Iniciada h cerca de seis anos, a debandada de lojas de discos abre espao para estdios de tatuagem e marcas de roupas
Edifcio tenta se adaptar aos novos tempos abrigando oficinas e palestras culturais; sndico pretende construir um Museu do Rock
THIAGO NEY
DA REPORTAGEM LOCAL
To comentada, reportada, teorizada e maldita, a crise da indstria fonogrfica est no apenas mudando a forma como a msica consumida e comercializada, mas alterou radicalmente a paisagem de um dos mais movimentados e conhecidos endereos de So Paulo.
Cerca de 20 mil pessoas passam todos os dias por um dos seis pavimentos, incluindo subsolo e cobertura, do Centro Comercial Grandes Galerias, no n 62 da r. 24 de Maio, centro da cidade. Mas ningum conhece ou trata esse portentoso edifcio de linhas onduladas e piso preto e branco, inaugurado em 1963, por Grandes Galerias. Porque ali a Galeria do Rock.
Ganhou esse apelido, em 1993, por concentrar, entre seus 450 pontos comerciais, o maior nmero de lojas de vinis e de CDs da Amrica Latina. Nos bons tempos, contavam-se mais de 130. H uns seis, sete anos, os bons tempos se foram, e hoje restam apenas 45.
A debandada das lojas de discos poderia descaracterizar o apelido. No descaracterizou pela poltica linha-dura de Antonio Souza Neto, o sndico do prdio, que s libera espao para o comrcio de etnia roqueira, como marcas de roupa jovem, estdios de tatuagem e de piercing, lojas de silk-screen, de apetrechos para cigarro. Ou lan house. A primeira foi inaugurada no fim de semana passado e j causou revolta em um bocado de lojistas por anunciar que faz "gravao de CDs".
Os nmeros mostram os resultados. Existem hoje 145 lojas que vendem roupas e/ou acessrios para jovens. O que mais surpreende so os estdios de tatuagem/piercing. Em 2000, havia seis; agora, so 22.
Se antes abrigava a "maior concentrao de lojas de vinis e de CDs da Amrica Latina", hoje esse superlativo vale tambm para esses estdios.
Essa a nova Galeria do Rock, que alm de Galeria do Rock se transformou em instituto cultural, promovendo oficinas e exposies como a "Faces do Rock", ocorrida entre dezembro e janeiro passados.
Um dos planos do sndico Toninho construir no quinto andar um Museu do Rock, um Madame Tussaud tupiniquim, com esttuas de cera de roqueiros nacionais. Ele garante que o projeto est caminhando e que j houve conversas com a Petrobras para cobrir o oramento, estimado em R$ 1 milho.
Plstica
Uma metfora errada compararia a Galeria do Rock a uma mezona. Errada porque no corao da galeria no cabe mais um. Cabe apenas quem pagar bem. Um aluguel ali -com o condomnio incluso- chega a custar quase dez vezes mais do que nas ruas ao redor. No primeiro ou no segundo andar, uma loja de 12 metros quadrados paga por ms de R$ 1.000 a R$ 1.500, em mdia. No trreo, mais movimentado, esse valor chega a R$ 1.800.
Uma metfora rasteira compararia a Galeria do Rock a uma velha senhora calejada, que sofreu e viu de tudo, de alfaiates e camiseiros que tomavam o edifcio nos anos 70 e que depois foram substitudos por punks e roqueiros cabeludos, protagonistas de brigas feias pelos seus corredores. Brigas em que chegavam a quebrar garrafa de cerveja para cortar o pescoo de um infeliz, como testemunhou Magro, ou Dionsio Febraio, proprietrio da Aqualung, desde 1990 um reduto certo para fs de rock progressivo e de heavy metal.
As brigas, os pontos-de-venda de drogas no subsolo e no terceiro andar e gente fumando maconha nas escadas so passado. Os pavimentos esto iluminados por 5.650 lmpadas que do ao lugar uma cara de Natal permanente e so interligados por escadas rolantes que hoje realmente funcionam.
A transformao, segundo os lojistas mais antigos, como Luiz Calanca, da Baratos Afins (29 anos de galeria), aconteceu com a posse de Toninho como sndico. Ele aceita a comparao com Rudolph Giuliani, o ex-prefeito que implantou poltica de "tolerncia zero" em Nova York. Ele diz (o Toninho, no o Giuliani) que a Galeria do Rock, antes de ganhar o apelido, era uma terra de ningum, uma Amsterd. E que as pessoas precisam ter a sensao de segurana, por isso decidiu empregar 22 homens para tentar transmitir essa sensao.
Mas ele no aceita a comparao com Fidel Castro, que est no poder em Cuba desde 1959. Desde que foi eleito, em 1993, Toninho diz que j passou por sete reeleies. De dois em dois anos h assemblia.
EDIFCIO TOMBADO PELO CONPRESP
O Centro Comercial Grandes Galerias foi projetado em 1957 pelo arquiteto Alfredo Mathias, que depois seria tambm responsvel pelo projeto do shopping Iguatemi. O edifcio tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservao do Patrimnio Histrico)