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REGRESSO AO FUTURO- 2000/2008

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Olá amigos!
As saudades são muitas e as recordações não cessam.Hoje, quando dei por mim, estava em frente ao Pc a rever fotos antigas, reviews, posters de concertos e algumas entrevistas que respondi ao longo destes 8 anos.

A entrevista que se segue, fez-me parar no tempo e recordar durante longos minutos, a minha experiência nos Aside.E por esse motivo, decidi partilhá-la.Esteve para ser publicada num site de música com o nome de CirclePit, mas por motivos alheios à banda, nunca chegou a acontecer.
De qualquer das formas, aqui fica o meu eterno agradecimento ao Daniel (CirclePit), pelo trabalho e dedicação que teve na elaboração desta entrevista.

Algumas das respostas dadas, já não fazem muito sentido, mas optei por não as alterar.Esta entrevista foi entregue via e-mail, dia 13|08|2007! É para verem como o tempo passa...

Um forte abraço!
David Arroz

 

01|Passou pouco mais de um ano desde o lançamento do 2º album.Que balanço fazes do mesmo, até agora?

O balanço é sempre positivo.Apesar de termos passado por situações menos boas neste último  ano de 2006, o álbum: “We are Frequency”, abriu-nos muitas e novas portas, quer em Portugal; quer no estrangeiro.Apesar do álbum ter sido lançado em Abril de 2006, está marcado um novo lançamento através da “I Scream Records/Punk Nation” com distribuição por toda a Europa, pela SPV Records, para o mês de Novembro. Temos também cerca de 15 datas confirmadas por todo o país até Outubro, com o objectivo de promover o álbum e passámos a contar com o apoio da Maudlin Clothing [www.maudlinclothing.com] e da B.Side [www.bsideproject.com].Tudo boas notícias!


02|
Porque escolheram gravar o álbum na Suécia?


Simplesmente porque na altura em que nos confrontámos com as opções existentes, o estúdio “Underground”,em Västeras; na Suécia, pareceu-nos o mais indicado,quer pelos preços praticados; quer pelas suas condições e acima de tudo: pelo produtor.Gravar com o Pelle Saether (No Fun At All, The Hives, Bombshell Rocks, Pridebowl, Adhesive, Satanic Surfers, Passage4, Fonzie, 59 times the pain, Venerea, etc) foi uma experiência única e de certa forma, essencial para todos nós.

Aprendemos muito durante aquelas três semanas.Muitas das coisas, graças ao produtor. Aprendemos a simplificar, a ouvir e assimilar opiniões externas à banda; a acreditar em nós e no trabalho que tínhamos em mãos e, acima de tudo: a aperfeiçoar a adormecida capacidade de criar soluções imediatas e diferentes daquelas que tínhamos apresentado inicialmente através da pré-produção. Tudo aspectos simples mas que em estúdio e com o tempo cronometrado ao segundo, se podem tornar muito complicados...


03|
Como funciona o processo de construção musical? Quem faz o quê?


Não vive de grandes segredos. Acima de tudo:é um processo colectivo.Muitas das vezes não é facil, por isso mesmo.As músicas nascem quase sempre, de um riff de guitarra.Só depois de muitos ensaios e de inúmeras experiências, numa “dança de ideias” constante, é que acabam por ganhar vida.As letras, normalmemente, são as últimas a aparecer.São muito influenciadas pela parte instrumental e são a “voz” dos nossos sentimentos.


04|
Como defines o som de Aside?


Não querendo estar a condicionar o som do Aside a um género específico, até porque a banda tem vindo a evoluir nesse sentido, diria que hoje em dia, praticamos um som mais virado para o Rock/Alternativo.Ainda há pouco tempo, o Nuno Vicente [baixista], apareceu com uma definição engraçada que se resume simplesmente a isto: “não estamos preocupados com rótulos. A nossa principal e única preocupação, é a de fazer música com conteúdo e atitude...”.Por isso, preferimos deixar essa questão para os peritos...


05|
Qual o tema que melhor tem funcionado ao vivo?


Existem temas que resultam muito bem ao vivo, alguns deles até, com alguma surpresa.É difícil escolher um tema específico, porque acredito que cada um de nós tem o seu, mas posso dar alguns  exemplos: “Perfect sound”;  “Red Poison & White Guitars”; “As cold as you left me”; “A Wednesday in April”, “Stationary Firework”.São músicas que tocamos quase sempre, porque sentimos por parte do público uma maior vibração/participação. Sempre nos preocupámos em levar até às pessoas aquilo que elas gostam de ouvir e não apenas os temas que gostamos de tocar.Mas quase sempre, coincidem, o que é bom.


06|
É conhecida a consistência da banda ao vivo. Algum de vocês teve formação musical,  ou qualquer outro tipo de aulas?


Há de facto elementos que tiveram formação musical.O Pardal chegou a ter aulas de bateria no Hot Club durante 1 ano; o Ricardo teve  aulas de guitarra durante 1 ano e meio e eu próprio frequentei aulas de voz/canto.Na maior parte dos casos, esta crescente evolução, em muito devida às experiências que tivémos noutras bandas  e não só, deve-se acima de tudo à incrível persistência que cada um  tem e a uma vontade indomável de  querer sempre mais.É uma escada interminável. Acaba por ter piada, por isso mesmo: todos nós sabemos que nunca iremos chegar ao fim, mas também já não temos vontade de descer.Somos muito críticos uns com os outros.Por vezes, injustos.Mas é através deste caminho que nos vamos ajudando mutuamente.


07|
Que fazem para além da música?....


....O Daniel, uma vez referiu sermos: “super-homens”. Não temos nenhuma identidade secreta como o Clark Kent, mas posso  afirmar que todos nós levamos uma  vida dupla.Temos o quotidiano que todas as pessoas têm, e ainda temos a banda.O Pardal é supervisor na TvCabo, o Ricardo é Webgraphic designer e responsável pelo departamento de produção da empresa multinacional StepStone Portugal , o Daniel tem uma agência de figuração e dá aulas de Taekwondo, o Nuno  trabalha na Fnac, no atendimento ao público e eu sou Coordenador  numa empresa de Estudos de Mercado.Sem esquecer que o João Ferreira  que é o músico que nos está a acompanhar neste momento, trabalha numa instituição bancária como técnico de contabilidade.É graças ao apoio de todos os que nos rodeiam, principalmente dos nossos familiares, que conseguimos conciliar da melhor forma a nossa vida pessoal/profissional, com a banda.


08|
O que se passou com a Sons urbanos? Porque saíram?....


....Saímos porque pura e simplesmente, temos diferentes formas de ver a  música. Deveríamos ter estado mais vezes, entre as priopridades e escolhas da Sons Urbanos e isso não aconteceu.Foi uma aposta que não correu bem,apesar das inúmeras tentativas para torná-la real.A determinada altura, houve um sentimento mútuo de que o melhor para ambas as partes, passava por um afastamento.Foi o que aconteceu...


De qualquer das formas, continuamos a desejar a maior sorte do mundo à Sons Urbanos, assim como a todas as bandas que esta editora representa.


09|
Qual o maior sacrifício que já fizeram pelos Aside?

Já passámos por muitas dificuldades, mas nunca as sentímos como um “sacrifício”.
O último grande exemplo, passa pela gravação do nosso 2º album.Quando falo na gravação, falo em termos económicos.Foi uma aposta de risco e de certa forma individual, porque saiu do bolso de cada um.Mas existem outras “pequenas grandes” dificuldades que afectam nomeadamente,  as pessoas que nos acompanham diáriamente. Falo por exemplo nas tours , nos dias de férias que tiramos para dar concertos durante a semana, entre muitas outras coisas....

Todos nós vemos estas dificuldades como um investimento para o futuro e nunca como um sacrificio.São estas adversidades/apostas, que fazem qualquer banda andar para a frente.Não podemos esperar que as coisas aconteçam.Temos de lutar por elas.Suar!Só assim é que podemos dar o devido valor ao que fazemos e ao que os outros fazem.Quando batalhamos pelas coisas, aprendemos a ser humildes e com isso ganhamos perseverança, entusiasmo e inteligência.Fico contente quando encontro esta mesma vontade e “espírito de sacrifício”; noutras bandas.Podem crer que há muitos bons exemplos...


10|
Para uma banda crescer o papel de um manager/promotora, é importante?
 
Sim, posso dizer que sim.Não é vital, mas a partir de um certo momento transforma-se  num factor importante.Mas para que haja esta ligação entre uma banda e um manager/promotora, é essencial que ambas as partes estejam em sintonia.Têm de existir interesses comuns.Quando não se reúnem este tipo de condições,ou seja,  quando um manager não se revê na banda ou vice versa  é muito difícil de manter uma relação profissional.É preciso um entendimento que seja capaz de proteger os interesses de ambas as partes.Hoje em dia, existe um lado comercial e uma pressão tão fortes, que na maior parte dos casos, as coisas não resultam devido aos diferentes tipos de prioridade.Mas, excluindo os aspectos negativos ou difíceis neste tipo de relação, se houver vontade de trabalhar, sentido de orientação, amizade e interajuda é meio caminho andado para o sucesso e para ter um manager/promotora de qualidade.


11|
Alguma vez se sentiram discriminados ou injustiçados, por parte dos media?


Posso afirmar que não.Em termos gerais  todos nós temos uma nítida percepção face à realidade portuguesa no que toca à música, daí não ser uma surpresa muito grande, quando os media não “mergulham” no “underground nacional” com tanta frequência quanto a desejável.Mas quando existem brechas nesse sentido, os Aside sempre poderam contar com algum apoio/aceitação que por mais pequena que seja, é sempre importante para nós, porque é nessas pequenas ocasiões que podemos falar sobre a banda e sobre o desenvolvimento do nosso trabalho.

Quando estas oportunidades não aparecem, não vejo isso como uma injustiça.Sinto é que deveria existir uma maior equidade entre os diferentes géneros musicais, que são o “espelho” da música portuguesa.


12|
Se pudesses mudar alguma coisa em Portugal, enquanto músico, o que  mudarias?


Talvez a forma como os portugueses entendem e apreciam a música portuguesa.

A forma como as bandas portuguesas são tratadas na maior parte dos eventos/festivais por partes dos organizadores e melhoraria as condições dentro do “pequenos circuito”, para que houvesse uma maior possibilidade das bandas se puderem mostrar ao vivo.

Não são utopias nem ideias originais, mas só estas mudanças seriam suficientes para que a música portuguesa passasse para um outro nível.


13|
Por vezes o público fica com a sensação que há uma guerra surda entre bandas. Tens   conhecimento de situações pouco éticas no panorama musical português?


Situações pouco éticas existem e existirão sempre e  a sua gravidade depende muito do ponto de vista de cada um.Não posso negar que  existem atritos ou rivalidades que ultrapassam em muito o razoável e isso, é de lamentar.Mas por outro lado, ainda acredito nas pessoas/bandas e sei que muitas das vezes só aprendemos a evoluir, quando erramos.Nós[Aside] temos aprendido muito, com os erros que cometemos.Por vezes, errar faz falta.

Quando penso no conceito “guerra surda”, só me consigo lembrar da necessidade que as bandas têm hoje em dia, de se superarem umas às outras.Por um lado, não vejo isso como um factor negativo, pelo contrário, ajuda a música portuguesa a evoluir; mas por outro, sinto que quando se eleva a fasquia, mais atritos existem.É aqui que a inveja vai criando as suas raízes por entre as pessoas...


14|
É verdade que as tours internacionais contribuem para o crescimento da banda? Quais as principais diferenças entre os concertos lá fora e os concertos em solo nacional?


Sim!As tours internacionais são muito importantes para qualquer banda, porque para além da larga amplitude que passa a existir para promovermos o nosso trabalho, é-nos dada a oportunidade de explorar novos caminhos e de criar novas amizades.Nós temos tido a sorte de encontrar e partilhar o palco com muita gente humilde e com um talento incrível [G.a.s Drummers; Amical, School Drivers, Bombshell Rocks, etc...].

As principais diferenças  entre os concertos residem essencialmente nas bandas, no público e acima de tudo no espírito/atitude DIY. É claro que não analisamos estas diferenças inseridas num movimento, mas sim dentro de um conjunto de géneros.A nossa experiência não é muito vasta, mas deu para aprender muita coisa nas duas tours e também através desta última gravação na Suécia . Acima de tudo, sentimos que existe uma competitividade saudável, e que todos se preocupam imenso em alargar os seus horizontes. As pessoas são bastante receptivas, prestáveis e interessadas. Enquanto não se aceitar o facto de que no nosso país existem bandas com talento, e que temos de aprender a valorizá-las, não tendo medo de aceitar esta realidade (que para muitos não passa de uma ficção), nada feito. A solução é simples: basta acreditar, ver e ouvir.


15|
A internacionalização é importante para os Aside? Porquê?


A internacionalização é e será sempre importante para os Aside.Acho importante, mesmo para uma banda que cante em português.A internacionalização permite a uma banda; movimentar-se num “espaço sem fronteiras” e tocar para diferentes tipos de público/pessoas, com diferentes formas de ver/encarar a música.Depois, quer se queira quer não, o reconhecimento/aceitação que é dado a uma banda que tenha deixado a sua “impressão digital” lá fora,  é totalmente diferente daquelas que se limitam a um só espaço/público.É graças a esta procura que surgem as tours, as editoras e os apoios...


16|
Qual foi o concerto que mais surpreendeu até hoje?


Para mim, todos sem excepção!Todos; bons e maus, porque dependemos deles para evoluir.É claro que posso destacar o facto de termos partilhado o palco com bandas como os: Mad Caddies, Boy Sets Fire, Tribute to Nothing, Ignite, Strike Anywhere, Strung Out, Uncommonmenfrommars, G.a.s Drummers, Catch22, Only Crime, Burning Heads, Easyway, More Than a Thousand, Fiona at Forty, Twentyinchburial, Devil in me, Tara Perdida, Hills have Eyes, Banshee, If Lucy Fell, For the Glory, Civic, Ella Palmer, entre muitas outras...;de nos ter sido dada a oportunidade de ter tocado em alguns festivais como foi o caso  de Vilar de Mouros, mas mais importante do que tudo isto, continua a ser o facto de continuarmos a ter esta mesma  oportunidade de poder pisar o palco.

17|E para quando o 3º album de Aside? O que se espera do novo trabalho?....


É segredo....!Mas para quem o souber guardar, posso adiantar que está para breve.Aquilo que as pessoas podem esperar é simples:Rock com atitude: um álbum com conteúdo; simples; directo e com uma mensagem positiva.


18|
Faz-nos um balanço destes 6 anos de Aside. Se pudesses voltar atrás mudavas muitas coisas?


Não penso muito no passado.É algo que não pode  ser alterado/modificado. É claro que mudaria algumas coisas menos boas, mas no fundo todos nós  acabamos por as aceitar e achamos que foram úteis para o crescimento da banda.

O balanço como tinha referido na primeira questão, é sempre positivo.Há sempre uma lição a retirar de cada aposta que se faz.Nós temos a sorte de poder contar uns com os outros e isso é um factor de peso quando chega a hora de enfrentar os problemas.Nestes últimos 7 anos temos tido muitos altos e baixos, mas todos eles ultrapassáveis, graças a uma coisa muito simples : amizade.O coração de uma banda muita das vezes deixa de bater, não pela falta de ideias ou de conteúdo, mas pela falta de união, compreensão e amizade entre os elementos.A amizade e a união são a força  necessária para quem uma banda sobreviva à maior parte dos seus problemas.....


19|
Os Aside foram das primeiras bandas underground a trabalhar capazmente. O site, o merch, as tours, o espetaculo ao vivo. Sentem-se pioneiros? Quando sentiram a necessidade de levar a banda a sério?


Não somos pioneiros, mas temos dado  um contributo para a evolução das coisas o que é bom.Lembro-me que a determinada altura, passou a haver uma maior preocupação  entre as bandas, com a imagem (em alguns dos casos demasiado excessiva) e isso fez com que as coisas se modificassem obrigando muitas delas, a mudar a sua forma de ver as coisas.É claro que a imagem não é tudo e no fundo acaba por ser apenas uma gota de água no oceano, mas é um factor importante porque acaba sempre por ser um cartão de visita essencial, para quem não nos conhece.Os Aside têm essa preocupação, assim como qualquer outra banda a tem, mas não nos deixamos levar apenas pela “imagem” que temos ou pelas coisas que já fizémos.É preciso estar sempre a pensar no futuro.Nunca esperámos pelo desenrolar de uma situação.O pior que podemos fazer é esperar que as coisas aconteçam.No dia em que isso suceder, os Aside terminam.Esta a nossa forma de demonstar que levamos a banda “a sério”.


20|
Queres destacar alguns projectos nacionais interessantes?


Não quero mencionar nomes, porque seria injusto e de certa forma limitativo, até porque se o fizesse, teria  uma lista interminável de nomes; que pelos mais variados motivos acabam por se destacar.Uns pela qualidade  do trabalho que apresentam; outros pelo esforço e dedicação ao longo dos anos.Ainda ontem me foi dado a conhecer um projecto em portugês, que nada tem a ver com Rock, com uma qualidade e uma representação, extraordinárias.Basta apenas andarmos de ouvidos bem atentos, para encontrar esses projectos.A música portuguesa de uma forma geral, está de parabéns.


21|Palavras para os fans?


Para todos aqueles que nos  acompanham , a mensagem que eu deixo é simples: sejam sempre humildes e sinceros.Nunca desistam dos vossos sonhos.Oiçam muita música e tentem sempre dar o vosso melhor em tudo o que fazem.Só assim podemos contribuir para um mundo melhor, cheio de energias positivas!


“A moderna sociedade industrial é uma religião fanática.Demolimos, envenenamos e destruímos todos os sistemas de vida do planeta.Assinamos notas de dívida que os nossos filhos não poderão pagar...Actuamos como se fôssemos a última geração sobre o planeta.Sem uma mudança radical nos nossos corações, nas mentes e nas visões do futuro, a Terra acabará por ser como Vénus, calcinada e morta...”
Sogyal Rinpoche – O livro Tibetano da vida e da morte.


Um abraço  e muito obrigado! - Arroz|Aside – 13|08|2007

 

 


 

Posted Sep 06, 2009 at 10:27pm

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